O Muquifu – Museu de Quilombos e Favelas Urbanas foi o ponto de partida. Trabalhadores nasce como uma tentativa simples e difícil ao mesmo tempo: olhar para quem sustenta a cidade sem jamais aparecer nela.
São homens que levantam paredes, carregam peso, moldam o concreto sob o sol, e ao fim do dia desaparecem como se nunca tivessem estado ali. A cidade permanece. Eles não. O ensaio busca interromper esse desaparecimento.
Fotografar esses trabalhadores exigiu negociação, paciência e respeito. Muitos precisaram de autorização dos contratantes para existir na imagem. Até o direito de ser visto passava por filtros. Entre ferramentas, poeira e estruturas inacabadas, o que me interessava não era a obra, mas quem permanecia em segundo plano enquanto tudo se erguia ao redor.
As imagens ficaram expostas por um longo período e depois atravessaram o oceano, integrando uma mostra na Itália. Um deslocamento curioso: corpos invisíveis em seu próprio território passando a ser observados em outro continente.
Este trabalho não fala de progresso. Fala de presença. De humanidade comprimida entre concreto, suor e rotina. Trabalhadores é sobre quem constrói a cidade sem nunca ser convidado a habitá-la simbolicamente.