25 boleros entre sambas nasceu de um gesto raro. Waldemar Euzébio, ou simplesmente Waldemas, disse apenas: faça o que quiser, o que puder, coloque seu olhar sobre a minha obra. Há convites que levam uma vida inteira para acontecer. Esse foi um deles.
Fui ao texto como quem entra em uma casa desconhecida. Encontrei um bolero. Mas não apenas um gênero, uma declaração. Um homem escrevendo para o amor da sua vida sem economia, sem cálculo, sem defesa. O livro já existia antes de ser livro. Quando decidiu publicá-lo, pensamos em algo simples. Bastou ler para entender que isso seria um erro.
Waldemas é visual por natureza. O texto pedia cor, excesso, detalhe, silêncio e ruído ao mesmo tempo. Um livro comum não daria conta. Precisava ser imagem, camadas, mistério, ritmo. Um objeto que respirasse como ele respira. Artista, compositor, músico, poeta, escritor, e outras coisas que escapam aos rótulos.
Aceitou a ideia das imagens sem hesitar. Passamos tempo juntos. Ele contava causos, explicava o que não se explica em cada verso. Eu fotografava o que surgia na minha cabeça enquanto ele falava. Assim, o livro deixou de ser só dele. Virou parceria.
A liberdade foi total. Tão total que a gráfica tropeçou nela. Técnicos ligavam, espantados com as cores, com as escolhas, com as rupturas. Diziam nunca ter visto algo assim. Eu respondia que era assim mesmo. Não convencional. Waldemas não segue regras. Ele as contorna, colore, musicaliza.
Algumas imagens vieram da minha própria vida. Um detalhe do forro de mesa de uma tia. O vidro antigo da janela da cozinha. Uma poltrona feita de mangueiras azuis. Entendi, tarde demais e no tempo certo, que para terminar o trabalho eu precisava dançar o bolero junto.
25 boleros entre sambas é um desses livros que não se fazem por encomenda. Acontecem. É, sem exagero, um dos trabalhos mais fortes que já produzimos. Não porque seja perfeito, mas porque está vivo.
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